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Egressos do cárcere, uma nova chance

Caminhos da Reportagem

No AR em 22/09/2025 - 23:00

Duas em dez pessoas que deixam a prisão no Brasil acabam reincidindo no crime e retornando para o sistema penitenciário, no prazo de um ano. Quando analisado um período mais longo, de cinco anos, a taxa de reincidência chega a 40%. Para evitar que essas pessoas voltem a praticar crimes e retornem aos presídios, medidas de reintegração social são fundamentais. O programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (22) mostra os caminhos e desafios para egressos do sistema penitenciário em busca de uma nova chance na sociedade. O programa vai ao ar, na TV Brasil, às 23h.

Fabrício Martins encontrou trabalho como ajudante de confeiteiro por meio da ONG Afroreggae
Fabrício Martins encontrou trabalho como ajudante de confeiteiro por meio da ONG Afroreggae - Divulgação/TV Brasil

 

De acordo com a Lei de Execuções Penais, é responsabilidade do Estado garantir acesso à educação e ao trabalho àqueles que cumprem pena nos presídios brasileiros. Em todo o país, cerca de 25% dos internos trabalham, mas em alguns estados a taxa é bem menor. É o caso do Rio de Janeiro, onde apenas 3% têm a oportunidades de trabalhar.   

 “Você não consegue fazer o cumprimento da lei de Execução Penal. Nós temos hoje 1.387 unidades prisionais. Aproximadamente 600 unidades não têm espaço para trabalho. Então, como é que você vai implementar trabalho na unidade se você não tem a dinâmica? O sistema, quando a gente fala da história do sistema prisional, ele foi feito para prender, não foi feito para ressocializar, para transformar. Só que isso já vem mudando ao longo dos últimos 20 anos”, afirma o diretor de Políticas Penitenciárias da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Sandro Barradas.   

Sandro Barradas, da Secretaria Nacional de Políticas Penais
Sandro Barradas, da Secretaria Nacional de Políticas Penais - Divulgação/TV Brasil

 

O programa mostra que, apesar das dificuldades, há vários projetos de capacitação e oferta de emprego para aqueles que estão presos ou que estão retornando à sociedade. Cumprindo pena em regime fechado na Penitenciária Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, a Amanda Tamires Freitas aprendeu o ofício de costureira em uma oficina na unidade prisional.   

A costura é não apenas um instrumento para reduzir sua pena como também é uma fonte de renda e distração. “[O trabalho] me ajuda a ser uma pessoa melhor, ele me ajuda a sustentar os meus filhos lá fora. Ele é uma terapia, quando eu estou ali costurando, eu esqueço que estou presa”, conta Amanda.     

Amanda aprendeu a costurar no projeto Tecendo Vidas - divulgação Fundação Santa Cabrini
Amanda aprendeu a costurar no projeto Tecendo Vidas - Divulgação/ SEAP RJ​​​​​​​ 

 

Além da inadequação de muitas unidades prisionais para o trabalho, há ainda o desafio de oferecer educação para as pessoas que cumprem pena. Corrigir estas distorções é uma das metas do plano Pena Justa, lançado em fevereiro deste ano. 

“É importante que haja escola em todo o sistema prisional brasileiro, em todas as unidades do país. Nós queremos combater o analfabetismo. Existem muitas pessoas dentro do sistema prisional brasileiro que não sabem ler e escrever. Está dentro do plano tudo isso que nós queremos: cursos profissionalizantes, a remissão pelo trabalho, um salário justo”, destaca o desembargador do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) José Rotondano.   

Pessoas que cumprem pena produzem uniformes para os presídios do estado do Rio
Pessoas que cumprem pena produzem uniformes para os presídios do estado do Rio - Divulgação/TV Brasil

 

Por meio de um projeto social realizado na penitenciária onde cumpria pena por tráfico no Rio de Janeiro, Sagat B tomou gosto pela leitura e mudou a sua trajetória. “É interessante falar que hoje, com 46 anos, eu sou escritor, porque eu fui ler meu primeiro livro de fato com 30 para 31 anos e estava dentro de um presídio. E isso demonstra o poder que tem a literatura de transformar”, conta Sagat B, que se tornou barbeiro, rapper e escritor quando ganhou a liberdade.  

Sagat B virou barbeiro, rapper e escitor depois de cumprir pena
Sagat B virou barbeiro, rapper e escitor depois de cumprir pena - Divulgação/TV Brasil

 

 O Caminhos da Reportagem mostra que o preconceito é outro desafio que enfrentam os egressos do sistema penitenciário. 

ONG Afroreggae no Rio de Janeiro cria oportunidades para egressos
ONG Afroreggae no Rio de Janeiro cria oportunidades para egressos - Divulgação/TV Brasil

 

 A ONG Afroreggae criou uma agência de emprego para ajudar a abrir portas para as pessoas que cumpriram pena. Foi lá que o Diego Mister conheceu o mercado audiovisual e começou a atuar em filmes e séries de televisão. “Graças a Deus, estou podendo dar outra vivência para os meus filhos e para minha família porque eu não quero que meus filhos passem o que eu passei”, afirma Diego. 

O ator Diego Mister participou das séries O jogo que mudou a história e A divisão, da Globoplay
O ator Diego Mister participou das séries O jogo que mudou a história e A divisão, da Globoplay - Divulgação/TV Brasil

 

Ficha técnica: 

Reportagem: Flávia Grossi 
Produção: Flávia Grossi, Vitor Gagliardo  
Reportagem cinematográfica: Eusébio Gomes 
Apoio à reportagem: Patrícia Araújo - DF  
Apoio à reportagem cinematográfica: Sigmar Gonçalves - DF 
Auxílio técnico: Cláudio Tavares, Caio Araujo   
Colaboração técnica: Dailton Matos - DF  
Edição de texto: Ana Passos  
Edição de imagem e finalização: Ubirajara Abreu  
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia  
Sonorização: Maurício Azevedo  
Intérprete de Libras: Thamires Ferreira

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Criado em 16/09/2025 - 14:55

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