Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Rastros digitais: o que a internet sabe sobre nós

Caminhos da Reportagem

No AR em 29/09/2025 - 23:00

O tempo que ficamos olhando para o celular; a velocidade de rolagem; o reconhecimento facial; a localização exata; os sensores de movimento - produzimos dados o tempo todo e nem nos damos conta. O brasileiro passa, em média, 9 horas por dia online, usando principalmente redes sociais, o que nos coloca entre os países que mais usam internet no mundo. Deixamos rastros digitais por onde passamos e não temos a dimensão do valor disso no mercado. 

O brasileiro passa, em média, 9 horas por dia online, usando principalmente redes sociais, o que nos coloca entre os países que mais usam intern
O brasileiro passa, em média, 9 horas por dia online, usando principalmente redes sociais, o que nos coloca entre os países que mais usam internet - Divulgação/TV Brasil


Essas informações valem tanto que hoje as Big Techs são as empresas mais lucrativas do mundo. “Nós fomos transformados em dados e isso gera um novo tipo de riqueza para algumas empresas que hoje são as maiores do mundo. E elas não produzem nada”, afirma Victor Hugo Pereira Gonçalves, presidente do Instituto Sigilo. 

Para Míriam Wimmer, diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados, as informações que disponibilizamos na internet são uma projeção de quem somos. “Informações como a cor favorita, os locais de compra, a idade ou os riscos de saúde não representam apenas bits e bytes, mas sim elementos capazes de traçar um retrato completo da identidade de cada pessoa”, afirma.

Para Míriam Wimmer, diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados, as informações que disponibilizamos na internet são uma projeção de quem
Para Míriam Wimmer, diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados, as informações que disponibilizamos na internet são uma projeção de quem somos - Divulgação/TV Brasil

 

Economia da Atenção

Na economia da atenção, o foco humano é um recurso escasso, disputado por inúmeros dispositivos. Os dados permitem ao marketing falar direto com os consumidores certos. “Eu deixo de ter um canhão e passo a ter uma mira no consumidor muito precisa, de como chegar naquele em que o potencial de consumir o produto é maior”, explica Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados_
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados - Divulgação/TV Brasil

 

“A gente dá dados, é legítimo coletar dados, a maioria das aplicações coletam os dados de maneira voluntária. E, vamos ser sinceros, se você não fornecer o dado, você não tem o serviço - o seu dado é trocado pelo acesso”, conclui Ricardo Puttini, professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília. Mas, mesmo com nosso consentimento, as empresas têm que obedecer a legislação brasileira, em especial, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ricardo Puttini é professor de Engenharia Elétrica da UnB_
Ricardo Puttini é professor de Engenharia Elétrica da UnB - Divulgação/TV Brasil

 

Apesar de a LGPD estar em vigor há 5 anos, o brasileiro ainda tem dúvidas sobre seus direitos. Uma das polêmicas atuais é o reconhecimento facial em prédios. Para Lílian Cintra de Melo, secretária nacional de Direitos Digitais, os condomínios devem ter cautela: “Onde esses dados estão sendo armazenados? No condomínio ou em empresa terceirizada? Quais medidas de proteção existem para não expor todo mundo sem segurança?”.

Nesse sentido, Flávio Vidal, professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília, ressalta a fragilidade dessa proteção. “A gente vê muitos casos, por exemplo, de vazamento de informações de pessoas, de condomínios. O computador que armazena o sistema deu defeito, mandaram para o técnico, o técnico fez uma cópia do HD para poder fazer backup e devolveu. Ele tem aquela cópia, ele não destrói, e pode revender os dados”, alerta. 

 

Os últimos 25 anos são considerados o surgimento de uma nova era, comparados ao renascimento e a revolução industrial para a humanidade_
Os últimos 25 anos são considerados o surgimento de uma nova era, comparados ao renascimento e a revolução industrial para a humanidade - Divulgação/TV Brasil


Turbilhão de Dados (e Golpes)

Em apenas um minuto, o mundo digital se transforma em um verdadeiro turbilhão de dados. Nesse curto intervalo, 16 mil vídeos são publicados no TikTok, quase 6 milhões de pesquisas são feitas no Google e a assistente Siri responde a mais de 1 milhão de perguntas. No mesmo minuto, 18 milhões de mensagens de texto circulam, mais de 3 milhões de vídeos são assistidos no YouTube, 138 milhões de reels passam pelas telas do Facebook e do Instagram, e nada menos que 251 milhões de e-mails são enviados. Números que impressionam e revelam a dimensão assustadora da nossa hiperconexão.

A maioria dos dados em tempo real é gerada pela internet das coisas, que são dispositivos conectados à internet para facilitar nosso dia a dia. Ou seja, é a conexão de objetos físicos — como eletrodomésticos, carros, relógios, sensores — à internet, permitindo que eles coletem, troquem e analisem dados em tempo real. Objetos mais “inteligentes”, aumentam eficiência, comodidade e segurança — mas também levantam debates sobre privacidade, segurança cibernética e o uso massivo de dados pessoais.

O especialista em cibersegurança, Kalil Ferraz, alerta que “quando você aumenta a quantidade de dispositivos expostos, você aumenta, sim, a possibilidade e o risco em relação às vulnerabilidades que eles oferecem”.

Kalil Ferraz alerta que “quando você aumenta a quantidade de dispositivos expostos, você aumenta o risco”_
Kalil Ferraz alerta que “quando você aumenta a quantidade de dispositivos expostos, você aumenta o risco” - Divulgação/TV Brasil


De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025), os golpes quintuplicaram nos últimos 6 anos. Apenas em 2024, o número de estelionatos atingiu cerca de 2,2 milhões de casos, o que equivale a aproximadamente 4 golpes por minuto no país. E, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, um a cada três brasileiros já sofreram algum tipo de golpe virtual nos últimos meses, chegando a cerca de 56 milhões de vítimas desde julho de 2024.

Apenas em 2024, o número de estelionatos atingiu cerca de 2,2 milhões de casos, o que equivale a aproximadamente 4 golpes por minuto no país_
Apenas em 2024, o número de estelionatos atingiu cerca de 2,2 milhões de casos, o que equivale a aproximadamente 4 golpes por minuto no país - Divulgação/TV Brasil


Walter Faria, diretor adjunto de serviços e segurança da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), também chama a atenção para o cuidado que os usuários devem ter em relação aos seus dados. “Os golpistas, eles utilizam muito as informações que nós colocamos nas redes sociais para acessar as nossas contas. Fazem uma engenharia social com os clientes para poder acessar as contas. Eles já vêm conversar com todas as informações na mão, como se te conhecessem já há longa data. Se a pessoa não estiver bem preparada, ela acaba por cair no golpe”.

O Caminhos da Reportagem vai ao ar dia 29 de setembro, às 23h, na TV Brasil. 

Ficha Técnica:
Reportagem: Carina Dourado
Apoio à Reportagem: Ana Graziela Aguiar, Acácio Barros
Reportagem cinematográfica: Sigmar Gonçalves
Apoio à Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco, Rogério Verçoza, Alexandre Nascimento, Raul Cordeiro
Auxílio técnico: Alexandre Souza
Apoio ao Auxílio Técnico: Rafael Calado, Marcelo Vasconcelos, Dailton Matos, Thiago Pinto, João Batista de Lima
Produção: Patrícia Araújo
Edição de texto: Carina Dourado
Apoio à edição de texto: Marieta Cazarré
Edição de imagem e finalização: André Eustáquio 
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 25/09/2025 - 17:15

Últimas

O que vem por aí