Na madrugada de 28 de outubro de 2025, 2,5 mil policiais entraram nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, para cumprir mandados de prisão de cerca de 70 acusados de envolvimento com o Comando Vermelho, facção criminosa que atua nessas comunidades e tem presença em 25 unidades da federação. Na ação, 121 pessoas morreram, entre elas quatro policiais.
“Hoje meu chão abriu. Hoje uma mulher está destruída. Pode ter certeza. É uma mãe que chora. Não uma só. Tem duas do Bope e mais uma da civil chorando”. Essas foram as palavras de Débora Velloso, durante o enterro do filho, o policial civil Rodrigo Velloso, morto na ação.
A operação Contenção ficou marcada na história do Rio de Janeiro como a operação policial com mais mortes no estado. Wellington Brito, um jovem de 20 anos, não era agente da polícia, mas sua morte também deixou uma mãe de luto.
“Só lembro de ter saído na rua. E quando eu comecei a olhar, não tinha ninguém na rua, só eu e a polícia. E aí quando eu cheguei lá em cima foi quando começou a polícia dar tiro, não deixava passar e eu pedindo ‘por favor, deixa eu passar, é meu filho’. Porque ali, naquele momento eu só queria que ele tivesse a possibilidade de poder se entregar para ser preso”, lembra a mãe de Wellington, Tauã Brito.
Na edição desta segunda-feira (17), o programa Caminhos da Reportagem mostra os resultados desta ação e traz uma reflexão sobre a política de enfrentamento que vem sendo adotada há mais de quatro décadas pelas autoridades de segurança fluminense. O programa vai ao ar, na TV Brasil, às 23h.
Para o governo fluminense, a operação foi histórica. “Foi um dia histórico para o Rio de Janeiro. A maior operação da história das polícias aqui. Foi uma operação de cumprimento de mandado judicial, de mais de um ano de investigação, mais de 60 dias de planejamento. Temos muita tranquilidade de defendermos tudo o que foi feito ontem”, disse o governador Cláudio Castro, no dia seguinte à operação.
Especialistas ouvidos pelo Caminhos da Reportagem, no entanto, recorrem justamente à história para questionar a eficácia desse tipo de ação policial no enfraquecimento das facções criminosas.
“Essa operação em nada vai afetar o Comando Vermelho enquanto organização. Essas operações de incursão armada em territórios de favela, elas são o principal método de combate ao crime no Rio de Janeiro, já há quase quatro décadas, e elas já se mostraram ineficientes no combate ao controle territorial armado e aos mercados ilegais que operam nesses territórios”, explica a coordenadora do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF) Carolina Grillo.
Para o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) Bruno Paes Manso, 40 anos de história mostram que “esse tipo de ação violenta vem produzindo respostas violentas e produzindo um ambiente de guerra e um mercado de guerra que muita gente começou a ganhar dinheiro em torno deles e tem em vez de produzir ordem, tem produzido desordem e contribuído para aumentar o caos das cidades”. O
A solução, na visão de pesquisadores da área de segurança pública, passa pelo combate à corrupção, melhorias no sistema penitenciário e desarticulação do lado financeiro das organizações criminosas. Além disso, para eles, é preciso mudar a realidade social das favelas.
“[É preciso] um investimento social para oferecer alternativas de vida para molecada que é seduzida pelo tráfico. Você tem que ter arte, cultura, esporte, uma série de atividades para que ela se sinta sonhando em participar do futuro numa sociedade que oferece oportunidades”, destaca Manso.
Ficha Técnica
agradecimentos
Band TV Rio
Luiza Arruda
Rede TV!
Voz das Comunidades
reportagem
Ana Passos
apoio à reportagem
Ana Graziela Aguiar
Thiago Padovan
produção
Ana Graziela Aguiar
Thiago Padovan
Vitor Abdala
Vitor Gagliardo
apoio à produção
Acácio Barros
reportagem cinematográfica
Alexandre Nascimento
Sandro Tebaldi
Eusébio Gomes
auxílio técnico
Adaroan Barros
Caio Araujo
Eduardo Domingues
Yuri Freire
edição de texto
Ana Passos
edição de imagem e finalização
Ubirajara Abreu
arte
Aleixo Leite
Caroline Ramos
Wagner Maia
pesquisa no acervo da EBC
Artur dos Santos
Fabio Araujo Jorge
Mariana Nazareth
Nelson Lin
Pedro Modesto
Thiago Guimarães
sonorização
Maurício Azevedo
intérprete de Libras
Mateus Delmar
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