
Você consegue imaginar uma partida de futebol disputada em silêncio? Os cantos dos torcedores que ecoam na arquibancada fazem parte inseparável do espetáculo que é ver a bola rolar no gramado. Samba, Funk, Maracatu, Rock...ritmos diferentes do Brasil se misturam aos passes, aos dribles e à celebração do gol...
Essa dupla paixão brasileira é o tema do Caminhos da Reportagem dessa semana. O programa vai mostrar como surgem as canções que fazem sucesso nas arquibancadas do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. Um vascaíno que fez uma música enaltecendo o time arqui-rival. Ex-jogadores que se aventuraram pela carreira musical. Ídolos da música brasileira apaixonados por futebol. As canções que embalaram as seleções brasileiras de outros tempos.
Ídolo do Flamengo, Zico começou a jogar profissionalmente em 1971. Dos 23 anos de carreira, dedicou mais da metade ao time do coração, coração que se emociona quando ouve a música Oh meu Mengão, eu gosto de você. “ A gente lá do campo se arrepiava, né. E você sentindo o canto da torcida. Você não tem gás e vai lá, dá mais um pouquinho, que você nem imagina que tinha”, diz o ex-craque.
As músicas que sacodem a arquibancada são geralmente criativas e com a marca da irreverência. Do Funk ao Rap, são músicas que fazem muito sucesso, como a do Gabriel o Pensador, artista que sempre esteve envolvido em questões sociais, mesmo quando o assunto é futebol. Ele compôs o rap Brazuca: “Futebol? futebol não se aprende na escola. No país do futebol o sol nasce para todos mas só brilha para poucos. E brilhou pela janela do barraco da favela onde morava esse garoto chamado brazuca.Que não tinha nem comida na panela mas fazia embaixada na canela e deixava a galera maluca”.
Lamartine Babo criou a marcha de carnaval Sempre Flamengo, que foi sucesso absoluto e a torcida adotou como seu hino. Por conta do sucesso, ele recebeu o desafio de compor uma marcha para cada clube que tinha participado do Campeonato Carioca de Futebol naquele ano. Ele compôs a marcha do Bangu, do Madureira, do São Cristovão, além dos tradicionais Vasco, Fluminense, Botafogo, e o do seu time do coração, o América FC, colocando os hinos oficiais para escanteio.
Mas Lamartine não foi o único compositor talentoso autor de hinos de clubes. O gaúcho Lupicínio Rodrigues, que criou sambas imortais como Nervos de Aço, também deixou o coração gremista falar mais alto. É o que conta e canta a dupla gaúcha Kleiton e Kledir, no programa.
Samba, salsa, rock, pank, a democracia no futebol mostrou outros talentos como o do jogador Mané Garrincha, que dançava no campo, o legítimo representante do futebol-arte. “O Mané tinha ginga, ele mostrou a dança, a salsa, com aquelas pernas tortas. Ele levou esse espírito para o estádio”, diz a cantora Elza Soares.
Exemplo de ex-jogador que seguiu o caminho da música é Diogo Nogueira. Desde a infância, sempre esteve muito ligado ao futebol. Era o companheiro do pai João Nogueira nas tardes de domingo no Maracanã. Mas a sua relação foi além das arquibancadas. “Na adolescência toda eu tentei ser jogador de futebol. Passei pelas categorias de base aqui no Rio de Janeiro, no CFZ, no time do Zico, no Vasco, no Fluminense. Aí eu tive uma lesão em um jogo em Porto Alegre e voltei para o Rio. Não sabia o que ia fazer, se estudava, se operava o joelho pra voltar a treinar, e aí a música começou a me envolver...”, diz o cantor, que hoje é apresentador do Samba na Gamboa, na TV Brasil.
O Caminhos da Reportagem ainda foi até a Argentina para ver de perto se a torcida daquele país é tão eufórica quanto a dos brasileiros. A correspondente da TV Brasil em Buenos Aires, Mônica Yanakiew, vai mostrar como música, futebol e política correm no sangue dos portenhos.
Repórter: Rogério Medeiros
Edição: Isabelle Gomes
Produção: Vivian Carneiro e Betania Dutra
Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.