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Teresa Cristina celebra o Samba de Noel

Cantora ressalta a relevância artística de Noel Rosa

Samba na Gamboa

No AR em 31/08/2018 - 21:45

Neste episódio do Samba na Gamboa, Diogo Nogueira tem como convidada Teresa Cristina, cantora ainda lembrada por muitos como a "Estrela da Lapa". A diva do samba relembra episódios de sua história desde os tempos em que contribuiu de forma determinante para o sucesso e a revitalização do tradicional bairro boêmio do Rio de Janeiro. Se ano passado, na turnê em que esteve ao lado de Caetano Veloso, a cantora foi elogiada por sua interpretação de clássicos de Cartola para plateias do mundo inteiro, hoje a menina nascida no subúrbio carioca de Bonsucesso ocupa os holofotes com o álbum "Teresa Cristina canta Noel: Batuque é um privilégio".

Teresa Cristina canta "Não tem tradução".

Teresa Cristina celebra o Samba de Noel
Teresa Cristina celebra o Samba de Noel - Reprodução/TV Brasil

Neste mais recente trabalho, a estrela tem como diretor o ídolo baiano. Ao apresentar o novo projeto, Caetano destacou: "O canto tranquilo de Teresa é um tesouro que o Rio vem guardando há um bom tempo. Era a hora de Noel, um rei em seus próprios domínios, passar pelo filtro dessa voz. Não é coisa pouca. Há uma diferença entre o Noel que conhecemos e o Noel que surge das interpretações dela. Ouvir Noel na voz de Teresa sobre arpejos de Carlinhos Sete Cordas é ir fundo na experiência da nossa formação". Acompanhada do famoso violonista, Teresa defende o legado não só artístico, mas também político do poeta, o estudante de Medicina que falou sobre malandragem, jogo do bicho (“Conversa de Botequim”), corrupção (“Onde está a honestidade?”) e até a condição feminina da época (“X do problema”) para a sociedade dos anos 30. 

Apaixonada por pesquisa musical, a diva também incluiu músicas menos conhecidas até para o público do samba, como "A vida me fez assim" e "Deixa de ser convencida". Seu objetivo não foi fazer uma coletânea de sucessos, mas traduzir no palco a alma do compositor e privilegiar as canções mais propícias à seu timbre. Cantora consciente da importância e o alcance de sua voz, Teresa também declara neste episódio por que deixou de cantar músicas como “O teu cabelo não nega” ou “Feriado na roça”. Para ela, conforme a sociedade evolui é preciso deixar de enaltecer letras que traduzem preconceitos da época, com temáticas racistas e machistas. Também reflete sobre a trajetória da mulher no samba.

Nascida em Bonsucesso e criada na Vila da Penha, Teresa foi influenciada desde cedo pelas composições de Candeia. Depois de ter trabalhado como manicure, fiscal do DETRAN e vendedora de comésticos, sua voz brilhou em rodas de samba e bares de vários bairros do Rio, principalmente Madureira. Ao participar do projeto "A Cria", no Planetário da Gávea, foi descoberta pelo poeta Chacal, que a convidou para o projeto "CEP 20.000". Em seguida, foi levada para se apresentar no bar Semente, quando se tornou conhecida do grande público. Também brilhou em casas noturnas famosas da boemia, como Carioca da Gema e Centro Cultural Carioca. Ao final, revela aos espectadores do Samba na Gamboa, o novo projeto de um trabalho totalmente autoral. Afinal, como Noel ensinou, batuque é um privilégio.

Apresentação: Diogo Nogueira
Direção Geral: Belisario Franca
Direção: Gabriel Edel

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