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Na Amazônia pelas ondas do rádio

Conheça a importância do rádio para as comunidades ribeirinhas

Caminhos da Reportagem

No AR em 05/04/2020 - 20:00

O rádio de ondas curtas ainda é um dos meios mais eficientes para levar informação aos lugares mais distantes e nem sempre acessíveis. Nos povoados ribeirinhos, no meio da Floresta Amazônica, a horas e às vezes a dias de barco da cidade mais próxima, a única forma de se conectar com o mundo ainda é através do rádio. A equipe do Caminhos da Reportagem foi até a Terra do Meio, no Pará, para conhecer essa realidade vivida por vários ouvintes da Rádio Nacional da Amazônia, uma das poucas rádios de ondas curtas do país.

Em Porto Maribel, o rádio é um companheiro desde a infância para os irmãos Melânia Gonçalves e José Moreira, conhecido por Zé "Simbereba", ambos pescadores e extrativistas. Melânia conta que é só através do aparelho que eles conseguem saber tudo o que está acontecendo no Brasil e no mundo e não se sentirem tão isolados. José afirma que tudo o que sabe aprendeu pela rádio: "Às vezes, eu fico falando de São Paulo ou outro lugar e as pessoas me perguntam se eu conheço lá. Eu conheço, mas conheço através do rádio", conta.

Melânia Gonçalves ouve a Rádio Nacional da Amazônia diariamente
Melânia Gonçalves ouve a Rádio Nacional da Amazônia diariamente - Divulgação

Através da rádio, muitas pessoas sabem dizer que horas são de acordo com os programas. Distante dois dias de barco de Altamira, no Pará, na Comunidade de Manelito, os extrativistas Maria do Socorro e seu cunhado Manoel de Souza contam que às 5 horas da manhã já estavam de pé para trabalhar e ouviam o programa do apresentador Frank Silva, na Rádio Nacional da Amazônia. E se localizavam no tempo durante o dia pelos programas. "Tinha o programa da Sula, que era no horário de 9 horas da manhã, programa bom também, tinha muita informação",  lembra Manoel.

Seu Reginho colocou o nome da filha em homenagem à apresentadora da Rádio Nacional da Amazônia
Seu Reginho colocou o nome da filha em homenagem à apresentadora da Rádio Nacional da Amazônia - Divulgação

A ligação dos ouvintes com a Rádio Nacional da Amazônia é tão grande que o seringueiro Reginaldo Pereira do Nascimento, o seu Reginho, quis fazer uma homenagem a uma de suas apresentadoras preferidas. "Quando minha filha nasceu, minha mulher perguntou pra mim: 'Como é que nós vamos botar o nome dessa menina?' Aí eu disse: 'Nós vamos botar o nome de Mara Régia'. Era uma homenagem e deu certinho", diz.

A apresentadora Mara Régia leva informação para as mulheres e homens na Amazônia
A apresentadora Mara Régia leva informação para as mulheres e homens na Amazônia - Divulgação

A troca de experiências é rica também para os apresentadores da Rádio Nacional da Amazônia. Mara Régia Di Perna conta que o poder que o rádio tem sobre as pessoas é crucial para deixá-las melhor informadas. Ela relembra alguns casos de cartas que recebeu com algumas dúvidas e que ela conseguiu ir atrás da informação correta para passar para essas pessoas. "Foram muitas as cartas dizendo ‘Ah, Mara Régia, será que se eu fizer um chá de barbatimão vou voltar a ser virgem, né?’ E aí a gente vai desconstruindo essas lendas através do rádio", pondera.

As amigas Sandra e Cleonice se conhecem ao vivo, depois de anos de amizade virtual
As amigas Sandra e Cleonice se conhecem ao vivo, depois de anos de amizade virtual - Divulgação

O rádio também muda a vida das pessoas. Foi através de contatos feitos pela Rádio Nacional da Amazônia que a agricultora Cleonice "Tomateira", como é conhecida, encontrou seu marido, Ademilson. "Tem 23 anos que a gente está casado, ele veio de lá para cá me procurando e aí foi aquele encontro, aquela coisa maravilhosa", recorda. Cleonice, além do marido, também encontrou, anunciando pelo rádio, os parentes de sua mãe, que havia saído do Paraná e perdeu contato com a família. Ela diz que sempre ligava e contava a história no programa Ponto de Encontro, que era apresentado por Sula Sevillis. "Até que um dia alguém ouviu do outro lado e falou: 'Essa pessoa tá procurando a sogra do meu genro, vou ligar pra ela',  e me ligou", dispara Cleonice, que conseguiu reunir a família toda depois do contato.

Ribeirinho ouve rádio em frente ao rio
Ribeirinho ouve rádio em frente ao rio - Divulgação

Ficha técnica
Agradecimentos: Instituto Socioambiental - ISA
Reportagem: Ana Graziela Aguiar
Repórter cinematográfico: Alexandre Silva
Auxiliar de cinegrafia: Alexandre Souza
Produção: Amanda Cieglinski
Apoio produção: Carlos Molinari
Apoio às imagens: André Pacheco, Rogério Verçoza, Jorge Brum e Sigmar Gonçalves
Apoio técnico: Dailton Matos e Edivan Viana
Edição de texto: Carina Dourado
Edição de imagens e finalização: Carlos Aguiar
Arte: Eudes Lins

Criado em 01/04/2020 - 11:00

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