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Tráfico de animais, um rastro de violência

Nove em cada dez animais morrem antes de chegar às mãos do comprador.

Caminhos da Reportagem

No AR em 14/02/2021 - 20:00

O dado da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostra a crueldade deste tipo de crime. "O traficante ganha na quantidade de animais, então ele captura muitos. Coloca, às vezes, seis, sete passarinhos numa caixinha. E ele não dá água, não dá comida pro animal. O animal morre pisoteado e ele não se importa porque joga fora e pega outros", explica a coordenadora de gestão, destinação e manejo da biodiversidade do Ibama, Raquel Sabaini, ao Caminhos da Reportagem.

O comércio ilegal pode atingir mais de 38 milhões de animais todos os anos, segundo a Renctas. Mas as dimensões exatas do crime são difíceis de serem estimadas porque falta no país uma maior estrutura de investigação e combate, afirma uma das autoras do relatório da organização Traffic que mapeia o tráfico de animais no Brasil. O documento aponta que 80% dos animais vítimas do tráfico são aves.

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Traficante que anunciava animais silvestres pela internet - Reprodução/Caminhos da Reportagem

Por sua grande riqueza ambiental, o Brasil sempre foi atrativo para os traficantes e nos últimos anos também passou a importar animais ilegalmente para alimentar a sanha dos colecionadores.

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Naja que picou estudante em Brasília - Ivan Mattos/Zoológico de Brasilia

Um exemplo dessa tendência é o caso da cobra naja que picou um estudante de medicina veterinária em Brasília em julho do ano passado. A Polícia Civil do Distrito Federal descobriu que ele criava dezoito serpentes em casa sem autorização dos órgãos ambientais. O universitário responde, em liberdade, a um processo por tráfico. "Inclusive as investigações também demonstraram que ele fazia a reprodução dos animais para vender os filhotes", diz o delegado do caso, Ricardo Bispo."

Os envolvidos faziam negociações pela internet, para onde está migrando o tráfico de animais. Em São Paulo, a Polícia Federal, em conjunto com outros órgãos, conseguiu prender uma quadrilha que anunciava várias espécies abertamente nas redes sociais. O traficante conhecido como Zé do Bode já havia sido preso várias vezes. O delegado Sebastião Pujol conta que ele vendia macacos usando notas falsas de um comerciante legalizado do Sul do país.

Fazer com que os responsáveis paguem pelo crime ainda é um desafio. Especialistas ouvidos pelo programa afirmam que a penalidade é baixa, de um a seis anos de prisão, e geralmente os juízes optam por aplicar penas alternativas. As multas quase nunca são pagas, critica o coordenador-geral da Renctas, Dener Giovanini.

O comércio ilegal gera impactos negativos tanto para o meio ambiente como para a saúde da população, uma vez que os animais silvestres podem ser transmissores de vírus aos humanos. A veterinária Sandra Charity lembra que a pandemia de Covid-19 provavelmente começou pelo contato com morcegos ou pangolins na China.

Quando são resgatados, os animais vão para centros de reabilitação do Ibama ou de parceiros, como o Instituto Vida Livre, no Rio de Janeiro, que adota o lema "quem ama liberta". O presidente da ONG, Roched Seba, explica que o processo é demorado e infelizmente nem todos os bichos conseguem voltar à natureza.

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Caixa para liberação de animais do Instituto Vida Livre - Caminhos da Reportagem

O programa será exibido no dia 14 de fevereiro, às 20h, na TV Brasil.

Ficha técnica
Reportagem: Amanda Cieglinski
Produção: Natália Neves, Amanda Cieglinski e Tiago Bittencourt
Imagens: André Rodrigo Pacheco, Luís Araújo e Sigmar Gonçalves
Auxílio técnico: Alexandre Souza, Jairom Rio Branco, Rafael Calado e Thiago Pinto
Edição de texto: Ana Maria Passos
Edição de imagens: Eric Gusmão
Arte: Eudes Lins

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 11/02/2021 - 14:15

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