Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

O sonho de morar

Caminhos da Reportagem

No AR em 06/04/2026 - 23:00

O Brasil tem um déficit de cerca de seis milhões de moradias. Isso significa que milhões de famílias residem em habitações precárias, dividem imóveis com outras pessoas por necessidade ou, tendo uma renda mensal de até três salários-mínimos, comprometem mais de 30% de seu orçamento com aluguel. 

Ao mesmo tempo, em um país onde o direito à moradia é garantido pela Constituição Federal, há mais de 11 milhões de casas e apartamentos vazios no país, segundo Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia.  

Nesta edição, que vai ao ar às 23h desta segunda-feira (6), o programa Caminhos da Reportagem mostra como vivem as pessoas que enfrentam o desafio do déficit de habitações e, cujo maior sonho, é ter um lugar onde morar. Também são mostradas as possíveis soluções para a questão. 
 

Ocupação Gilberto Domingos transforma prédio público abandonado em moradia
Ocupação Gilberto Domingos transforma prédio público abandonado em moradia - Divulgação/ TV Brasil


“A gente tem, na nossa Constituição Federal de 1988, o direito à moradia adequada assegurado entre os direitos fundamentais sociais da cidadania.  Um conceito que envolve desde o teto, mas não só o teto, mas um teto com condições adequadas de saneamento básico, de acesso à energia elétrica, de acesso portanto a água potável, de inserção numa cidade a partir da garantia de transporte, de saúde, de educação, de emprego”, afirma a professora de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mariana Trotta. 
 

A professora Mariana Trotta coordena o Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiza Mahin, da Faculdade de Direito da UFRJ
A professora Mariana Trotta coordena o Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiza Mahin, da Faculdade de Direito da UFRJ - Divulgação/ TV Brasil


A reportagem do Caminhos da Reportagem visitou três ocupações que funcionam em imóveis sem uso, pertencentes à administração pública federal, na região central do Rio de Janeiro: Povo Maravilha, em um terreno desocupado da Companhia das Docas do Rio; Gilberto Domingos e Manoel Congo, ambos em prédios desativados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 
 

Cozinha solidária da Ocupação Povo Maravilha
Cozinha solidária da Ocupação Povo Maravilha - Divulgação/ TV Brasil


“Aqui, quando a gente chegou era só mato e pedra. Mas a gente fez a união e a força com as famílias e viemos arrumando”, explica Jonas Souza, coordenador da ocupação Povo Maravilha, onde cerca de 200 famílias convivem no espaço, residindo em vários barracos de madeira de 6 a 9 metros quadrados.
 

O Tuia Café emprega moradores da Ocupação Manoel Congo
O Tuia Café emprega moradores da Ocupação Manoel Congo - Divulgação/ TV Brasil


Fernanda Duarte trabalha como camelô desde os 13 anos de idade. Depois de se separar do marido, inicialmente morou na zona oeste da cidade, com a filha pequena, bem longe do centro da cidade, onde trabalha. A necessidade de viver perto do local onde garante seu sustento fez com que ela tentasse morar de aluguel em uma favela, no centro. “Quando eu vim morar aqui no Centro, aluguei uma casa aqui no Morro do Pinto, por R$ 900. E eu, tendo que pagar aluguel, almoço, roupa, estava com uma mão amarrada e o pé também”, conta Fernanda, que decidiu participar da ocupação, para reduzir o ônus financeiro com sua moradia. 
 

Fernanda e a filha Maria, moradoras da Ocupação Povo Maravilha
Fernanda e a filha Maria, moradoras da Ocupação Povo Maravilha - Divulgação/ TV Brasil


A ocupação Gilberto Domingos transformou um prédio sem uso há décadas, cujos únicos habitantes eram morcegos e pombos. “É muita gente sem casa, sabe, e muito prédio vazio. E muita gente morando debaixo [das marquises] desses imóveis”, afirma a coordenadora da ocupação, Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs. “A gente quer provar que dá para todo mundo ter moradia. Não é um teto de qualquer jeito, em qualquer lugar. A gente quer morar com dignidade”, destaca a coordenadora do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Lurdinha Lopes. 
 

Lurdinha Lopes, coordenadora nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia
Lurdinha Lopes, coordenadora nacional do Movimento Nacional de Luta pela Moradia - Divulgação/ TV Brasil


A ocupação Manoel Congo completou 18 anos e é considerada um bem-sucedido caso de destinação de um imóvel sem uso para a moradia popular. O local foi contemplado com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida para reformas e implantação de melhorias. Hoje o edifício conta com câmeras de segurança, elevadores e até um restaurante que gera renda para o condomínio.
 

Ocupação Manoel Congo - moradia e geração de renda
Ocupação Manoel Congo - moradia e geração de renda - Divulgação/ TV Brasil


“Hoje no Brasil, você já tem aí empreendimentos que estão sendo usados para, por exemplo, retrofit, [em que] o imóvel usado da União vai ser utilizado agora para virar residencial. Nós já temos em diversos lugares do país isso acontecendo. A gente entende que dessa forma a gente está ajudando os centros urbanos a se reabilitar, mas ao mesmo tempo usando aquilo que já está instalado, aqueles imóveis que já estão colocados, faz o retrofit, faz uma reforma e leva uma família para morar lá”, explica o secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo. 
 

Prédio abandonado no Centro do Rio de Janeiro
Prédio abandonado no Centro do Rio de Janeiro - Divulgação/ TV Brasil


Ficha técnica

Reportagem: Ana Passos
Reportagem cinematográfica: João Victal, Marcio de Andrade 
Produção: Vitor Abdala 
Drone: João Victal  
Som direto: André Pichitelli 
Auxílio técnico: Caio Araujo  
Apoio à reportagem – DF: Paulo Leite 
Apoio à reportagem cinematográfica – DF: Sigmar Gonçalves 
Colaboração técnica – DF: Alexandre Souza  
Edição de texto: Ana Passos   
Edição de imagem e finalização: Ubirajara Abreu 
Estagiário de edição e finalização: Pedro Ferreira Piedade  
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia   
Trilha sonora: Ricardo Vilas, Warner Chappell Production Music  
Intérprete de libras: Mateus Delmar

Ocupação Gilberto Domingos, organizada pelo Movimento Unido dos Camelôs, no Centro do Rio
Ocupação Gilberto Domingos, organizada pelo Movimento Unido dos Camelôs, no Centro do Rio - Divulgação/ TV Brasil

 

 

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 01/04/2026 - 17:55

Últimas

O que vem por aí