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Cinema, a cara do Brasil

Como o cinema brasileiro é visto no exterior e se tornou bom negócio

Caminhos da Reportagem

No AR em 14/06/2020 - 20:00

Salas de cinema do mundo inteiro foram fechadas, produções de filmes paradas, estreias adiadas e festivais de cinema cancelados. A pandemia de Covid-19 deve ter um grande impacto na indústria cinematográfica de todo o mundo e, consequentemente, em todo o dinheiro que essa economia movimenta. Mas a crise gerada pelo coronavírus também abriu espaço para um setor dentro da indústria audiovisual que já estava em crescimento: o streaming. Em 2019, uma pesquisa do Ibope Conecta e Omelete Group indicava que o setor deveria arrecadar R$ 180 bilhões de reais, número que pode ser ainda maior com o isolamento social, que fez com que as pessoas passassem a consumir ainda mais o serviço de assinatura de filmes e séries.

Sala de cinema no Festival de Cannes, em 2019
Sala de cinema no Festival de Cannes, em 2019 - Divulgação

O Caminhos da Reportagem mostra como filmes brasileiros estavam sendo bem recebidos no exterior e dentro do país antes da pandemia. E como esse mercado deve ser afetado com o coronavírus. Só no Brasil, a indústria cinematográfica, com o giro de R$ 17,635 bilhões, teve mais peso no PIB que atividades como a indústria têxtil (R$ 15,548 bilhões), a produção de açúcar (R$ 12,726 bilhões), a indústria de cosméticos (R$ 11,398 bilhões) e o transporte aéreo (R$ 10,042 bilhões), como mostram as informações do Contas Nacionais de 2017, divulgadas pelo IBGE.

No exterior, a produção do Brasil já é reconhecida pela qualidade e criatividade, como no Marché du Film, maior mercado de cinema do mundo, que ocorre durante o Festival de Cannes, na França, que, este ano, foi cancelado. Apenas o Marché du Film vai ocorrer de forma on-line entre 22 e 26 de junho. 

Elenco do filme "Bacurau" no Festival de Cannes, em 2019
Elenco do filme "Bacurau" no Festival de Cannes, em 2019 - Divulgação

Em 2019, o Brasil esteve em Cannes com oito filmes exibidos em uma das mais competitivas mostras do mundo. "Bacurau" levou o prêmio da crítica no festival. Não foi a primeira vez que o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho esteve na mostra: em 2016, concorreu com "Aquarius". Também no ano passado, o longa brasileiro "A Vida Invisível de Euridice Gusmão", do cineasta Karim Aïnouz, venceu a mostra paralela Un Certain Regard.

Para Karim Aïnouz, os prêmios são reflexo da qualidade do que é produzido no Brasil e é preciso dar continuidade ao que está sendo desenvolvido nos últimos anos. "É muito importante que a minha geração e a geração que vem depois da gente faça um cinema que chegue ao público, um cinema que encante, que assombre, que nos deixe alegre, que nos deixe com raiva, mas mexa com a gente".

Durante o Marché du Film no ano passado, vários diretores e produtores brasileiros fizeram negócios e fecharam coproduções. A diretora Lais Bodanski, que fez "Bicho de Sete Cabeças" e "Como Nossos Pais", e que hoje é presidente da SP Cine, enfatizou a importância do Brasil nesse mercado. "A gente não é um país qualquer, a gente tem voz, é mercado, economia consumidora e também uma economia que realiza", afirmou.

Brasil no mundo

Não é de hoje que o cinema brasileiro é reconhecido mundialmente. O diretor Bong Joon Ho, ganhador do Oscar de 2020 com o filme "Parasita", reconheceu em entrevistas à imprensa que "Deus e o Diabo na Terra do Sol", do cineasta brasileiro Glauber Rocha, foi um filme que nunca saiu de sua cabeça.

Desde a década de 1930 a produção brasileira chama a atenção internacional. "Banana da Terra", de Ruy Costa, lançou Carmen Miranda internacionalmente, numa carreira que contou com 14 filmes feitos nos Estados Unidos mais tarde. "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, levou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1962 e, no ano seguinte, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, também concorreu à Palma de Ouro e deu visibilidade internacional ao Cinema Novo do Brasil.

A repórter Anna Karina de Carvalho entrevistou Anna Karina meses antes da atriz falecer
A repórter Anna Karina de Carvalho entrevistou Anna Karina meses antes da atriz falecer - Divulgação

De lá para cá, a indústria cinematográfica brasileira teve altos e baixos. Nos últimos anos, além de ter uma participação considerável no PIB do país, as produções de audiovisual passaram a gerar arrecadação e empregos. Para cada R$ 1 investido no cinema brasileiro, havia o retorno de, no mínimo, R$ 3 em tributos aos cofres públicos, segundo o Anuário 2018-2019 do Brasil Audiovisual Independente (BRAVI). 

O programa ainda faz uma homenagem à atriz Anna Karina, musa da Nouvelle Vague que faleceu no final de 2019. Antes, no mesmo ano, ela deu sua última entrevista à equipe do Caminhos da Reportagem, que exibe um trecho nessa edição.

Detalhe do filme "Bacurau", que ganhou prêmio de Crítica em Cannes em 2019
Detalhe do filme "Bacurau", que ganhou prêmio de Crítica em Cannes em 2019 - Divulgação


Ficha Técnica

Reportagem e produção: Anna Karina de Carvalho
Roteiro: Anna Karina de Carvalho Marcio de Andrade e Carina Dourado
Repórter cinematográfico: Marcio de Andrade
Apoio de imagens: André Pacheco, Marcelo Padovan e Amâncio Ronqui
Edição de texto: Ana Passos e Carina Dourado
Edição de imagens e finalização: Jerson Portela
Arte: Pâmela Lopes 

Criado em 12/06/2020 - 11:15

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