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Sítio Roberto Burle Marx, um legado para a humanidade

Reveja o episódio sobre o novo Patrimônio Mundial da Unesco

Caminhos da Reportagem

No AR em 01/08/2021 - 20:00

O Sítio Roberto Burle Marx, onde morou e fez experimentos o mais famoso dos paisagistas brasileiros, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco na última terça-feira, 27 de julho. O Caminhos da Reportagem exibiu este episódio dedicado ao sítio e à expectativa em torno de sua candidatura em 18 de abril. Com o resultado positivo, a TV Brasil reprisa este episódio neste domingo, 01/08, às 20h.

Localizado em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, o sítio abriga uma coleção de mais de 3.500 espécies de plantas de regiões tropicais e subtropicais.

Burle Marx comprou a propriedade em parceria com o irmão, Siegfried, em 1949 e fez dela um laboratório para conhecer o comportamento da flora brasileira, até então pouco valorizada nos projetos paisagísticos. A partir dessas experiências, ele criou o jardim tropical moderno, que representou  “uma mudança de paradigma no paisagismo, uma grande contribuição para a humanidade”, explica a diretora do sítio, Claudia Storino.

Excursão para coletas de plantas na Serra do Cabral, registrada por José Tabacow
Excursão para coletas de plantas na Serra do Cabral, registrada por José Tabacow - José Tabacow

Boa parte das plantas que podem ser vistas no sítio hoje veio das excursões que Burle Marx fazia pelos diversos biomas brasileiros. O arquiteto paisagista José Tabacow participou de várias delas, primeiro como estagiário e depois como sócio de Burle Marx. Ele relembra que a única situação que deixava o amigo irritado durante as viagens eram os flagrantes de destruição do meio ambiente.  

O auxiliar em preservação e defesa ambiental, Sinval Pereira Filho, que começou a trabalhar no sítio aos 20 anos, ainda sob o comando de Burle Marx, conta que nessas expedições o paisagista chegou a descobrir cerca de 50 novas espécies, muitas batizadas com o seu nome, como o orthophytum burle-marxii.

Orthophytum burle-marxii, espécie descoberta por Burle Marx
Orthophytum burle-marxii, espécie descoberta por Burle Marx - Divulgação/TV Brasil

Na visita ao sítio também é possível apreciar como o paisagista aproveitou materiais de prédios demolidos em calçamentos, cascatas, portas e fachadas na propriedade. “Ele foi precursor em muitas coisas”, diz a educadora Suzana Bezerra, que apresentou o espaço à equipe do Caminhos da Reportagem e ressaltou a genialidade do artista.

Na casa onde Burle Marx morou são preservados alguns objetos pessoais, como óculos, roupas e calçados, assim como um vasto acervo de obras do paisagista, que era um artista de múltiplas faces: pintor, escultor, designer de joias e até cantor de ópera. A professora de História da Arte da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Vera Beatriz Siqueira, avalia que tanto no paisagismo quanto na pintura a produção de Burle Marx mantém vínculos com as nossas tradições culturais, com a nossa realidade e com a nossa paisagem mesmo quando se apresenta na forma abstrata. “Ele cria uma espécie de ambiente que eu chamo de ecologia da forma moderna”, explica a professora.   

As salas também abrigam a enorme coleção de arte popular que Burle Marx adquiriu ao longo da vida. A auxiliar de serviços gerais, Maria Goreti Ferreira de Lima, que começou a trabalhar na casa durante os preparativos para a festa de 80 anos do paisagista, diz que limpa as peças com mãos de seda e zela para manter viva a memória do Seu Roberto, como se refere a ele.

Maria Goreti, mãos de seda que cuidam do acervo da casa de Roberto
Maria Goreti, mãos de seda que cuidam do acervo da casa de Roberto - Divulgação/TV Brasil

“Se eu procurei compreender o jardim aplicado à nossa natureza, vamos dizer, à nossa natureza humana e sobretudo às necessidades brasileiras, é porque eu não quero fazer apenas jardins para uma casa de milionários. Eu gostaria de fazer jardins que o povo pudesse participar”, eternizou Burle Marx, em entrevista ao programa O Mundo Mágico, que faz parte do arquivo da TV Brasil.

Preocupado com a preservação do seu acervo, Burle Marx doou o sítio ainda em vida para o governo federal, em 1985, nove anos antes de morrer. Hoje o espaço está sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Carlos Alberto Moreira da Silva, coordenador da manutenção do acervo botânico, conta que o desafio dos funcionários mais antigos agora é preparar os mais novos para cuidar desse presente deixado pelo paisagista. “As pessoas precisam saber disso aqui pra dar o valor que o sítio tem e merece”, afirma.  

Visita guiada no Sítio Roberto Burle Marx
Visita guiada no Sítio Roberto Burle Marx - Divulgação/TV Brasil 

Herdeira do escritório de paisagismo criado por Burle Marx, a paisagista Isabela Ono comemora a candidatura do sítio a Patrimônio Mundial. No fim de 2019, ela e os dois sócios criaram o Instituto Burle Marx com a finalidade de tornar público também o acervo de projetos, croquis, fotos, maquetes, entre outras peças, que pertencem ao escritório. “Estamos na torcida. Só junta forças pra celebrar esse legado tão importante e tão grande que o Burle Marx deixou pra nós”, diz Isabela. 

Por conta da pandemia, a reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco deste ano foi realizada online entre os dias 16 e 31 de julho. 

Ficha técnica
Reportagem e produção: Ana Passos
Apoio à produção: Natalia Neves
Imagens: Luís Araújo
Apoio às imagens: André Pacheco
Drone: Eduardo Guimarães
Auxílio técnico: Carlos Junior
Iluminação: Celso Aparecido
Edição de texto: Ana Passos
Edição de imagem e finalização: Jerson Portela
Arte: Eudes Lins

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 14/04/2021 - 17:40 e atualizado em 29/07/2021 - 19:00

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