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Entre camelos, vacas e tempestades de areia

André Cerqueira, diretor geral de Equador, relembra as aventuras que

Andre Cerqueiram

Brasileiro com sotaque português, André Cerqueira coordenou todo o projeto de realização da série Equador. Bem humorado, o diretor concedeu uma entrevista ao site da TV Brasil. Na conversa, ele fala das aventuras que envolveram as gravações e de como a série foi pensada. Diretor geral da produtora Plural, André já teve outras experiências no Brasil e, por isso mesmo, defendeu a dublagem de português de Portugal para "brasileiro" , afirmando ser necessária para a compreensão do público.

Site TV Brasil - Como foi adaptar o livro Equador?

André Cerqueira: O Equador é um livro muito conhecido e muito vendido em Portugal. Esta era uma conversa antiga com o Miguel ( escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares) de transitar a obra para TV, já que muitos portugueses tinham o livro. Foi uma audácia. E coube a mim, como diretor, conseguir fazer. Minha pergunta era como conseguir ser fidedigno ao livro, já que as pessoas que leram teriam uma imagem dele na cabeça.

Site TV Brasil - Quais foram as dificuldades que tiveram durante a gravação da série?

André Cerqueira: Todas. A série se passa em São Tomé e Príncipe e lá não existem nem cavalos mais. Os brancos em São Tomé são embaixadores e não tínhamos condições de fazer com que os embaixadores fossem figurantes. Inicialmente, quando começamos a fazer as contas do Equador descobrimos que gastaria mais para levar cavalos, figurantes e estrutura para o país do que com a gravação propriamente da série. Foi nossa grande preocupação. Começamos, então, a buscar outros lugares. Por indicação do Miguel Sousa Tavares, viemos gravar no Brasil. Para ele, existiam lugares no Brasil que eram iguais a São Tomé e Príncipe. Além, claro, da Índia que também foi muito complexo. Pela cultura, gravar na Índia não é muito fácil. Nós pegamos tempestades de areia, tivemos aventuras que estão frescas na minha cabeça até hoje, e gravamos há dois anos.

Tem uma história absurda de uma tempestade de areia na India, em Jankipur, na cidade azul, aonde estávamos filmando. Fomos com uma equipe inteira para o Aeroporto, pegar um avião que demorava uma hora e meia até Nova Deli. Dali nós voaríamos para Lisboa. Disseram que havia uma tempestade de areia e que o avião não iria pousar. Nós dissemos, tudo bem. E quando vem o próximo? - Na semana que vem taí, responderam. Como semana que vem? Como a gente sai daqui? - Se vocês não se importarem em emprestar um ônibus, pedimos. E nos disseram que seria umas 12 horas. Só que não foram 12 horas como num ônibus no Brasil. Foram doze horas entre vacas, camelos, elefantes. Todos no meio da rua à noite e o motorista desviando. Acho que foi uma das maiores aventuras que já passei.

Site TV Brasil - Quanto tempo duraram as gravações?

André Cerqueira: Sem contar a pré-produção e a parte de computação gráfica, as gravações duraram um pouco mais de seis meses.

Site TV Brasil - No seu depoimento, você afirma que a computação gráfica e a adoção de tecnologia de ponta ajudaram a reconstruir a época da série.

André Cerqueira: Há três anos não tínhamos a 5d e a tecnologia que hoje já experimentamos. Naquela época, era complexo pensar em reconstruir uma rua inteira em computação e do jeito que a gente queria fazer. A gravação em planos fixos para reconstituição é o jeito mais simples de fazer. Eu não fiz nenhum. O público não vai ver no Equador nenhum dos meus planos de gravação, nos quais foram reconstituídas ruas inteiras, com planos fixos. Eles têm sempre planos com movimento e planos de grua que, normalmente, não é somente um movimento linear, mas dois estilos de movimento. Isso para corrigir em 3D é uma miséria! Não é um plano fixo. Você apaga tudo e, em quatro segundos, está pronto. E como diretor optei em não facilitar nada para a correção do 3D. Mantivemos a série com movimentos. Uma série com estrutura de direção muito marcada e, ao mesmo tempo, mantendo a época e o detalhe nas gravações que nós queríamos.

Site TV Brasil - Você assistiu à estreia?

André Cerqueira: Sim

Site TV Brasil - O que você achou da dublagem, uma grande polêmica aqui no Brasil?

André Cerqueira: É natural. Para mim também é estranho e eu sou brasileiro. Mas é estranho sempre, eu acho que a polêmica é por que está tendo que se traduzir português de Portugal para brasileiro. Eu já tive a experiência de vender um produto para o Brasil e o público que o assistiu não entendeu nada. Então, infelizmente, tinha que ser dublado. Porque os brasileiros não percebem o português de Portugal. Enquanto os portugueses já estão mais acostumados.

Site TV Brasil - Como foi a repercussão da série em Portugal?

André Cerqueira: Quando eu aceitei dirigir Equador, sabia que tinha pela frente uma coisa muito complexa. Equador é o livro mais vendido de Portugal. E uma série de época normalmente não tem tanta audiência no país, geralmente quatro pontos de rating. Sabíamos que era um grande desafio não só pelas críticas que podíamos receber, das pessoas que leram o livro e imaginaram uma coisa e depois a gente mostra a nossa realidade. Então procuramos seguir a cabeça do Miguel (autor do livro) do que a minha ou de outras pessoas. A minha ideia não era fazer o que as pessoas queriam mas passar o que o Miguel pensou. Por isso conversei com ele sempre :"O que você quer dizer com isso?".

Eu sabia que era um grande risco fazer porque você sai de um livro muito vendido para fazer uma série normalmente é muito criticado. Sabia que tinha nas mãos uma coisa muito complexa de fazer. O Equador estreou com 14 pontos e se manteve com 14 pontos. São mais de 40% de share.. E a série se manteve líder absoluta e marcou Portugal durante sua exibição. Foi um marco muitíssimo importante e até hoje eu recebo mensagens de que falta faz Equador na grade da TVI. E é verdade, faz muita falta.

Site TV Brasil: E quanto ao Brasil? Você está acompanhando a exibição?

André Cerqueira: Eu tenho contato com a comunidade brasileira daqui e é engraçado! As pessoas podem achar a dublagem um fato estranho e falar um bocadinho do sinal, mas acho que são criticas naturais. Acho que é uma grande série de qualidade e que, ainda bem, é uma oportunidade de as pessoas assistirem. Isso vale mais do que tudo. Eu também achei estranha a dublagem, mas eu sabia que tinha de ser feita. E ainda bem que estamos tendo a possibilidade de mostrar uma série histórica que marcou uma época e de um dos livros mais vendidos do Miguel aqui no Brasil.

Site TV Brasil: Você trabalhou aqui no Brasil um tempo, depois foi para Portugal e, agora, está montando uma grande cidade cenográfica lá. Fale um pouco desta experiência.

André Cerqueira: É grandiosa. Nós montamos agora um novo complexo de estúdios da Plural. A Plural produz hoje toda a ficção da TVI, 1.300 horas de ficção por ano. Nós temos quatro faixas de horário, competimos diretamente com as novelas de outros países, inclusive. A Plural lançou agora um novo centro de estúdios onde terão 7 estúdios, mais cidades cenográficas e todas as outras subempresas como as que produzem os cenários, de meios, de armazéns de adereços, de guarda-roupa. E tudo isso estamos centralizando em Lisboa.

Site da TV Brasil: Foi difícil montar essa estrutura?

Diretor: Nós construímos uma espécie de sala-imagem que é um compartimento maior com parques infantis e com outras coisas que virarão, outros grandes estúdios no futuro. Para a quantidade de horas que nós produzimos, precisávamos de uma estrutura mais sólida do que tínhamos. É um primeiro passo, ainda virão muitos. Cada vez mais a ficção é construída na Europa e a Plural faz parte do grupo Prisa que é um grupo que tem vários canais não só a TVI como o canal 4. Ela também está produzindo na Espanha, está em Angola...No Brasil, estamos com um escritório em São Paulo e entrando com muita força.




Criado em 14/10/2011 - 14:59 e atualizado em 14/10/2011 - 14:59

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