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Luz Ribeiro: medos, anseios e lutas diárias transformados em poesia

A artista se inspira nas músicas da mãe, uma compositora popular

O episódio articula os itinerários pessoal e artístico da poeta Luz Ribeiro, costurados pela contundência de suas intervenções poéticas nas ruas, em saraus, slams e nos transportes públicos. Luz Ribeiro, em sua poesia “Deu(s) branco”, apresenta-se como preta, pobre, proletária. Ela estudou a vida toda em escola pública, onde sofreu com o racismo e a exclusão dos colegas. Para lidar com o preconceito, passou a escrever pequenos textos e versos sobre seu cotidiano, que depois queimava para se sentir melhor. Começou a se encorajar a atuar como poeta quando participou do primeiro sarau de poesia na periferia, na Cooperifa, no final de 2011. A partir daí, Luz passou a visitar saraus comunitários, onde viu pessoas descrevendo poeticamente uma realidade periférica como a sua, diferente do que lia de autores renomados da literatura brasileira.

Bravos! apresenta Luz Ribeiro
Bravos! apresenta Luz Ribeiro - Victória Sales

Luz virou figurinha carimbada nos saraus de São Paulo e logo resolveu conhecer a prática que conjugava poesia e competição: os slams. Cresceu muito nesse meio e, recentemente, se tornou a primeira mulher a vencer a final do campeonato brasileiro de poesia falada, Slam BR, e a representar o Brasil na Copa do Mundo de Slam na França, Slam Nation et Coupe Du Monde.

“Assim como toda jovem da periferia, competir e lutar já faz parte da rotina. Nós, mulheres negras e periféricas já competimos a vida inteira, tentando reafirmar nossa beleza, competindo por vagas que nos são negadas. Então, quando ouvi que ganhei passou um filme de todos os ‘nãos’. De todas as portas fechadas e, ao mesmo tempo, aquele grande sim. Sentimento de que eu poderia fazer qualquer coisa”.

Além de poeta, Luz é pedagoga, educadora física, aspirante a atriz e performer. Ela tem múltiplos talentos. Até recentemente, Luz Ribeiro trabalhava em um Serviço de Medida Socioeducativa em Meio Aberto na região de Cidade Ademar, onde atendia adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida e Prestação de Serviço à Comunidade. Ela acredita na arte como libertação e na poesia como antídoto para invisibilidade e chegou a usar poesias e raps, como recursos pedagógicos.

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